Primeira Apresentação
A primeira apresentação de Peso Bruto: Autoetnografia de um homem gordo, gay e autista aconteceu no dia 08 de maio, no Espaço Cultural Miraira, localizado na Casa de Artes do curso de Licenciatura em Teatro do Instituto Federal do Ceará. A atividade foi acolhida pelo PPGArtes, Programa de Pós-Graduação em Artes do IFCE, instituição da qual sou egresso. Além da estreia do espetáculo, também realizei a apresentação dos meus livros, incluindo a publicação resultante da dissertação de mestrado desenvolvida no programa.
A apresentação teve duração aproximada de uma hora e quinze minutos, tempo superior ao previsto durante os ensaios. Parte dessa duração ampliada ocorreu pela utilização dos recursos de projeção e pela escolha de eu mesmo operar algumas ações técnicas em cena, manipulando vídeos e descrevendo essas ações como parte da dramaturgia. Embora essa escolha tenha criado momentos importantes de interação entre corpo, imagem e narrativa, também gerou pausas longas e lacunas silenciosas que impactaram o ritmo geral da encenação.
Os recursos tecnológicos utilizados contribuíram significativamente para a experiência da obra, especialmente os vídeos autobiográficos e as projeções ligadas à infância e à religiosidade. Entretanto, após a estreia, compreendi a necessidade de dividir algumas funções técnicas nas próximas apresentações, principalmente operação de projeção e áudio, permitindo maior fluidez cênica e continuidade dramatúrgica.
As trocas de figurino realizadas em cena funcionaram de maneira satisfatória e fortaleceram a ideia de passagem temporal entre diferentes momentos da vida. A escolha de iniciar o espetáculo com a personagem drag Margarida Pipper também foi bem recebida pelo público, funcionando como um primeiro acesso às memórias e aos deslocamentos presentes na obra.
Após a estreia, algumas reorganizações dramatúrgicas começaram a ser planejadas para as próximas apresentações. Entre elas, a construção de uma linha temporal mais clara entre infância, juventude e vida adulta, a redução do tempo de determinadas trilhas sonoras e o fortalecimento das escolhas coreográficas como eixo central da narrativa cênica.
